STF determina prisão de ex-presidente do BRB e de advogados suspeitos de fraudes bilionárias

Ministro André Mendonça estes riscos de destruição de provas e interferência nas investigações no Caso Master

16/04/2026 12h02

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa e do advogado Daniel Lopes Monteiro, em nova fase da operação Compliance Zero. A decisão atende ao pedido da Polícia Federal, com manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República, apresentada na Petição  (PET) 15771 , da qual o ministro é relator. 

A fase atual da operação integra as investigações do Caso Master, no âmbito do Inquérito (INQ) 5026, também sob a relatoria de Mendonça. O caso envolve crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, como gestão fraudulenta ou temerária de instituição financeira, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.  

Operações fictícias 

Segundo o ministro, elementos obtidos em diligências anteriores — como buscas e apreensões e quebras de sigilo — indicam “a existência de uma especialização ilícita, concebida para viabilizar a fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB, com expressivo impacto patrimonial e institucional”.   

Conforme os automóveis, as operações geraram R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito comprovadas irregulares adquiridas pelo BRB, apesar de pareceres técnicos e jurídicos contrários à operação financeira, desconsiderados pelo gestor do Banco de Brasília. 

Para Mendonça, o envolvimento de Paulo Henrique Costa “não se limita a uma negligência administrativa ou deficiência de governança, mas alcança, em tese, a adesão consciente ao arranjo de crimes”, com atuação deliberada para favorecer a liquidez do Banco Master em troca de vantagens indevidas.    

Estrutura de fachada 

De acordo com a decisão, Daniel Monteiro teria empresas estruturadas de fachada para ocultar patrimônio, documentos e conferir aparência de legalidade às operações financeiras. As investigações apontam que a negociação estimou em R$ 146 milhões em imóveis de luxo entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o então presidente do BRB.  

Ainda conforme os autos, as tratativas foram suspensas após Vorcaro tomar conhecimento das apurações sobre o suposto esquema de pagamento de propinas e ocultação patrimonial, no qual Monteiro atuaria como operador jurídico-financeiro.  

Referendo 

Na avaliação do ministro André Mendonça, as medidas cautelares diversas da prisão seriam insuficientes diante do grau de articulação dos investigados, da complexidade do esquema e da continuidade dos atos de lavagem de dinheiro. 

Após determinar as prisões, o relator solicita a inclusão do processo em pauta da Segunda Turma, em sessão virtual, para referendo da decisão.  Leia a íntegra . 

(Adriana Romeo/AS//JP)   

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