Presidente do STF e do CNJ lançam ações para ampliar o acesso à cultura no sistema prisional 

A Agenda no Rio de Janeiro incluiu reunião com o Observatório de Direitos Humanos sobre Violência do Estado e lançamento de ações do Plano Pena Justa 

04/10/2026 20:01
Reunião do Observatório de Direitos Humanos (ODH) no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).Reunião do Observatório de Direitos Humanos (ODH) no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

Nesta sexta-feira (10), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, participou da reunião do Observatório de Direitos Humanos (ODH) e do lançamento de ações do Plano Pena Justa. A programação no Rio de Janeiro (RJ) incluiu debates sobre violência de Estado e iniciativas para ampliar o acesso à cultura e à saúde no sistema prisional.  

Horizontes Culturais  

Em cerimônia realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o ministro participou do lançamento do projeto Horizontes Culturais, no âmbito do programa Pena Justa. A busca iniciativa ampliar o acesso à cultura, à leitura e outras formas de expressão artística no sistema prisional, como estratégia de humanização e prevenção da violência.   

O projeto prevê ações estruturantes até 2027, como a criação de um Plano Nacional de Cultura para o Sistema Prisional e a consolidação de um calendário permanente de atividades culturais e educativas. Inclui também o mapeamento nacional de iniciativas já existentes, com o objetivo de refletir, integrar e expandir boas práticas em todo o país. “Uma sociedade plena e segura precisa prevenir a maior das violências, a desigualdade de uma sociedade injusta e discriminatória”, disse Fachin.  

Cuidar  

Ainda no âmbito do Plano Pena Justa, foi lançada a Iniciativa de Promoção Integral à Saúde no Sistema Prisional, chamada de “Cuidar”. O programa foi formalizado em um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Poder Judiciário, a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).  

 A proposta é garantir atendimento, contínuo integral e articulado com o SUS, no enfrentamento às desigualdades históricas e à precariedade das condições sanitárias no sistema prisional.  

Plano Pena Justa  

O Plano Pena Justa é uma resposta ao reconhecimento, pelo STF, de um estado de violação massiva de direitos fundamentais no sistema prisional brasileiro. A decisão no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 347 impulsionou a construção de soluções estruturais e articuladas entre as instituições brasileiras.  

Resposta institucional  

Pela manhã, o ministro Edson Fachin participou da reunião itinerante do Observatório de Direitos Humanos, realizada no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ). O encontro reuniu representantes do sistema de Justiça, especialistas e entidades da sociedade civil e teve como foco o debate de medidas de proteção e o aprimoramento do atendimento às vítimas de violência.  

Na reunião, foi apresentado um diagnóstico elaborado a partir de relatos obtidos em consulta pública, com contribuições de vítimas, familiares, especialistas, agentes de segurança e demais participantes. O levantamento permitiu mapear gargalos nos sistemas de justiça e de segurança pública e deve servir de subsídio para a formulação de políticas mais eficazes.  

Os resultados da consulta pública, aliados aos debates realizados no workshop preparatório, servirão de base para a elaboração do Protocolo de Atendimento às Vítimas de Violência Praticada por Agentes de Segurança Pública.  

Segundo Fachin, o CNJ registra uma dívida imprescritível com essas vítimas. O ministro defendeu a construção coletiva de soluções e destacou a inclusão de classificação específica para casos de violência de Estado nas tabelas processuais do Conselho. A medida permitirá maior precisão no registro e no acompanhamento dessas ocorrências.  

(Cezar Camilo//CF)  

Link: https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/presidente-do-stf-e-do-cnj-lanca-acoes-para-ampliar-acesso-a-cultura-no-sistema-prisional/